Growth além do ROAS
A métrica favorita das reuniões de marketing é também a que mais esconde problemas do negócio.
"Nosso ROAS está em 8." Já ouvi essa frase, dita com orgulho, em operações que estavam perdendo dinheiro. E já vi operações saudáveis e lucrativas operando com ROAS que faria qualquer gestor de tráfego corar.
Como as duas coisas são possíveis? Porque ROAS mede a eficiência de uma campanha, não a saúde de um negócio. E confundir os dois é um dos erros mais caros do e-commerce.
O que o ROAS não vê
- Margem. ROAS 8 vendendo produto com 15% de margem bruta é prejuízo. ROAS 3 com 60% de margem é uma máquina de lucro. A métrica trata os dois faturamentos como iguais. O seu caixa, não.
- Atribuição inflada. Boa parte das conversões "geradas" pela mídia aconteceria de qualquer jeito: cliente recorrente, busca pela marca, remarketing sobre quem já estava no carrinho. A plataforma cobra o crédito; o algoritmo aprende a caçar conversões fáceis.
- O longo prazo. ROAS olha a primeira compra. Não enxerga o cliente que volta quatro vezes no ano, nem o que pediu reembolso na semana seguinte.
- O todo. Otimizar cada campanha isoladamente pode piorar o resultado do conjunto. Máximo local não é máximo global.
ROAS é o painel do carro. Growth é saber para onde a estrada vai, e se o combustível paga a viagem.
As métricas que medem crescimento de verdade
- MER (Marketing Efficiency Ratio): receita total dividida pelo investimento total em mídia. Sem disputa de atribuição, sem autoengano. É o número que o financeiro reconhece.
- Margem de contribuição por pedido: o que sobra depois de produto, frete, taxas, embalagem e CAC. É aqui que se descobre se "vender mais" significa "lucrar mais".
- LTV / CAC por canal: quanto um cliente vale ao longo do tempo versus quanto custou trazê-lo. Razão abaixo de 3, em geral, é sinal amarelo. É essa conta que define quanto você pode pagar por aquisição, não o leilão.
- Receita por coorte: os clientes de janeiro compraram de novo em março? A curva de recompra de cada safra é o eletrocardiograma do negócio. Coorte que não retorna significa crescimento alugado.
- Participação de receita de recorrência: quanto do mês já começa vendido: base, recompra, assinatura. É a métrica que diferencia operação de audiência alugada.
Como fazer a transição sem parar a máquina
Não é preciso abandonar o ROAS. Ele continua útil para comparar campanhas entre si. A mudança é de hierarquia: ROAS decide entre criativos; MER, margem e LTV decidem o orçamento.
Na prática: monte um painel único com as cinco métricas acima, revise mensalmente com marketing e financeiro na mesma mesa, e defina o CAC máximo a partir da margem, não da concorrência. Growth não é gastar mais. É saber exatamente quanto cada real investido devolve ao negócio, e em quanto tempo.
Consultor de e-commerce e especialista em IA aplicada. 25+ anos transformando tecnologia em crescimento. LinkedIn